sábado, 11 de agosto de 2012

Trechos da obra Don Juan DeMarco de Jean Blake White

“Como a música, ginástica ou patinação artística, o jogo do amor produz de vez em quanto um prodígio, desabrochando cedo e com intensidade. Sou um prodígio assim. O próprio Zeus pode ter me superado em variedade de espécies experimentadas, mas nunca em ardor...”
“Não sei o que ela está sentindo. Creio que pode estar arrependida, sufocada pelo pesar. Gostaria de pensar que ela sente saudade de mim, e que acha todos os piqueniques secos e insossos, depois do requinte das refeições que partilhamos.”
“Mas o coração é como o céu... uma parte do Paraíso, esquentado pelo sol, penetrado pelas estrelas, e depois de calcinado e perfurado é coberto por nuvens, as tempestades definham em gotas d´água... e os olhos ao final derramam o sangue do coração, convertido em lágrimas.”
“Alguma vez amou uma mulher de forma tão completa que o som de sua voz no ouvido dela podia fazer com que ela estremecesse e explodisse de tanto prazer, a tal intensidade que só o choro podia lhe proporcionar um pleno alívio?”
“ -- Há alguns que não partilham minhas percepções, sem dúvida. Quando digo que todas as minhas mulheres são beldades deslumbrantes, há quem proteste. Não, não, dizem eles, o nariz desta mulher é muito grande, a outra tem quadris largos demais, os seios de uma terceira são muito pequenos...
    Don Juan deu de ombros à mesquinhez de tais objeções.
    -- ... mas vejo essas mulheres como são de fato... gloriosas, radiantes, espetaculares, impecáveis... porque não sou limitado por minha vista.
    O jovem fitou nos olhos o homem mais velho e acrescentou em voz suave, com extrema sinceridade:
    -- As mulheres reagem a mim como o fazem, Don Octavio, porque sentem que procuro a beleza que habita dentro delas, até que prevaleça sobre todo o resto. E depois... as mulheres não podem resistir a seu próprio desejo de liberar essa beleza e me envolver nela. "

Trechos da obra Don Juan DeMarco de Jean Blake White

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